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domingo, 3 de novembro de 2019

Que seja bem vindo.


https://www.esquerda.net/opiniao/solidariedade-internacionalista-com-os-povos-em-luta/64181

A américa latina está sempre longe demais para merecer o nosso tempo em análise mais aprofundada. Achamos piada aos brasileiros, temos pena dos venezuelanos, simpatizamos com o futebol dos argentinos, admiramos a coragem dos mineiros chilenos e por aí fora. Eu também não vou faze-lo aqui.

Na verdade, a américa latina foi na sua grande parte e durante muito tempo desde o início do século passado um viveiro de lutas e revoluções de matriz socialista, umas mais conseguidas do que outras, para as quais nós europeus, com algumas poucas excepções, nunca demos a mínima atenção. Se é verdade que as grandes guerras mundiais e as ditaduras na europa nos davam muita água pela barba também não deixa de ser verdade que depois da revolução cultural de 68 os movimentos intelectuais burgueses retiraram importância ao Movimento Operário Internacional e passaram a olhar este e o proletariado, ele próprio, como coisa do passado e um empecilho à sua ascensão ao poder. Os partidos europeus nascidos da influência Marxista-Leninista, na sua quase totalidade, desprezam hoje o Movimento Operário internacional desculpando-se com Estaline, com Mao Tse-Tung, com Xi Ji-Ping, com Kim Ung-Yong, com José Eduardo dos Santos, com Hugo Chavez e Nicolas Maduro, com Fidel Castro e até com Evo Morales e disso até o Bloco de Esquerda é um exemplo.

Não existem revoluções perfeitas nenhuma o é. Cada revolução segue o seu caminho, que em todas é muito tortuoso, e tem que ser apoiada e protegida enquanto o inimigo principal for o capitalismo explorador e o seu objectivo principal seja a proteção de quem trabalha. Temos mesmo é que concentrar o foco na luta contra o imperialismo capitalista. Os grandes grupos financeiros estão hoje mais agressivos do que nunca com o objectivo claro de recuperar dos nossos bolsos os triliões que fizeram desaparecer. A nossa luta é a mesma em todo o mundo.

Antes de Francisco Colaço historiar a situação chilena a semana passada, nunca aqui percebi que alguém estivesse interessado no que se passa na américa latina à excepção da questão venezuelana e de um outro opinista que se indignou com Evo Morales, quando pôs em lei uma idade mínima baixa para o trabalhador juvenil, num país deixado à sorte das sanções americanas onde uma população miserável mata a fome com o trabalho infantil, eis que leio hoje este artigo do Rafael que aborda a questão da américa latina, e do Chile em particular, do ponto de vista do Movimento Proletário Internacional, e isso é muito importante.

Há muito tempo que não sentia, neste espaço, esta ligação ao Movimento Proletário Internacional. Que vivam as manifestações de rua, que se intensifique a luta de quem trabalha. Que nos fique porém a certeza de que sem uma assumpção de classe esses sacrifícios serão naturalmente inglórios. Os intelectuais burgueses são obrigados a defender o trabalhador por conta doutrem e assumir essa luta como sua própria dentro do Movimento Proletário Internacional sob pena de desaparecer também ela na miséria do "écart" social. O PCP e o Bloco têm a obrigação da difusão da cultura de classe sem a qual o Internacionalismo Proletário desaparece.

Seja bem vindo.

P.S "A Internacional", hino do Movimento Proletário é lindo e comovente, ajuda muito à cultura de classe. Sinto vergonha quando o ouço truncado por pessoas que têm vergonha de o cantar.

João Castro

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