Sempre que oiço falar em mais despedimentos começo a pensar que esta coisa nunca mais acaba. No caso destes funcionários de órgãos de informação, 65 jornalistas incluídos, a minha reação não foi tão dramática quanto tem sido noutros casos. Solidarizando-me com todos eles, consigo ainda assim reservar-me um pouco em relação aos jornalistas. A informação jornalística que se perde, é muito importante? Foram estes jornalistas sérios na sua análise àquilo que se tem passado em Portugal desde a revolução?
Cada vez que ouço, vejo e leio, Rádio, Televisão e jornais não consigo perceber como é que pessoas visivelmente inteligentes se deixam manipular e fazer figura de paus mandados dos grandes interesses económicos, quer desvalorizando aquilo que é importante quer trazendo para a ribalta tudo o que se diz e ouve a propósito da necessidade de continuar a espezinhar quem trabalha.
A comunicação social tem sido de uma maneira geral, conivente com os poderes instalados. Se é verdade que os jornais não são dos jornalistas, talvez não seja mentira que quanto mais nos baixamos mais o cú nos aparece. Nos órgãos de informação social desde o 25 de Abril, quantas vezes o jornalismo preferiu a visão dos utentes afetados à visão dos trabalhadores em greve? Sempre. Quantas vezes se apresentaram visões alternativas aos cortes e às políticas europeias e mundiais que nos trouxeram até aqui? Nunca.
Vão ser despedidos jornalistas? Não sei se perdemos assim tanto. O grande sucesso da internet, blogs e redes sociais tem que ver exatamente com a qualidade que não se obtém nos media convencionais.
João Castro
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