Ao passar pelo teu blogue senti na tua escrita, alguma frustração pelas dificuldades que Portugal atravessa nesta altura. Diriges as tuas críticas principalmente às agências de rating e a alguns estados parceiros europeus, tanto uns como outros criticáveis pelas posições que tomam e nos desconcertam. Porém, é na minha opinião, cá dentro que estão os verdadeiros culpados. Desde o 25 de Abril de 74 é a terceira vez que estamos nesta situação. Isto é o resultado de políticas erradas de subserviência ao poder económico, Os bancos e a sua necessidade de garantir os lucros e dividendos aos seus acionistas fizeram desaparecer no mundo inteiro milhares de biliões de dólares que se esfumaram quando a bolha que eles próprios criaram, através da sobrevalorização daquilo que não valia nada, rebentou. Hoje em Portugal e no mundo inteiro são os estados que são chamados a refinanciar os respetivos sistemas bancários (aliás uma prioridade assumida pelo próprio FMI) e isso só é possível através do único dinheiro vivo, real, disponível que é o salário de quem trabalha, já que tudo o resto não deixa de ser o que há muito tempo é, papel que no vale nada.
Portanto amigo chico, as agências não fazem mais do que aquilo para que foram criadas ou seja definir qual é o figo que está mais maduro para cair sem grande esforço.
Quanto aos outros países da UE que se obstinam a financiar Portugal, não fazem mais do que aquilo que às páginas tantas, todos deveríamos fazer. Se bem te lembras Portugal entrou com 9000 milhões para ajudar na dívida da Grécia. És tu capaz, amigo Chico, de dizer qual foi o resultado dessa ajuda? Onde está a Grécia hoje? Todos estes 9000 que Portugal meteu mais os outros milhares todos que os outros meteram estão a ser chupados dos bolsos de quem trabalha, através de mais impostos e menos benefícios e mais os impostos aumentados e os benefícios retirados na Grécia onde o único beneficiado é o sistema bancário.
A rotura total com este sistema é prioritária para acabar com as injustiças que se acentuam à medida que os que mais têm mais beneficiam com o empobrecimento dos outros. Esta rotura tem que acontecer e se ela acontecer porque alguns dos nossos parceiros europeus assim o desejam (ainda que não seja pelas mesmas razões) por mim está bem na mesma.
João Castro
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